Amy – A história da mulher que vivia dentro da artista

Nerd com Dendê . Há 4 anos atrás

Dona de uma voz marcante que em muito lembrava as divas do jazz americano, Amy Winehouse se tornou, em boa parte de sua trajetória, acabou por se tornar mais conhecida pelo abuso de substâncias ilícitas, e sucessivas entradas e saídas de clínicas de reabilitação do que pela sua música. Uma fama injusta, diga-se de passagem, e que, neste documentário ajuda em muito a ser corrigida.

Dirigido por Asif Kapadia (responsável por abordar a vida do ídolo automobilístico brasileiro em “Senna”), este “Amy” busca recontar a trajetória da compositora britânica ao final da adolescência, em 2001, quando começa a despertar o desejo forte de seguir a carreira musical, até sua precoce partida, em 2011.

Para isso, Kapadia usa um extenso material com vídeos caseiros, fotos, e depoimentos em áudio das pessoas que tiveram uma convivência muito próxima com a icônica intérprete – além de depoimentos da própria Amy – todos cuidadosamente colhidos, e encaixados no longa-metragem, que buscam não apenas contar sua trajetória, mas torna-la mais íntima do espectador.

Uma tarefa nada fácil, visto que, em seus últimos anos, a mídia se encarregou de pintar Amy Winehouse como a garota problemática, elevando-a ao posto mais caricatural, ao fazer graça com sua dependência química – e não será estranho que, durante a projeção, alguns espectadores que não são fãs da cantora, sintam-se mal por rir das muitas piadas contadas via rede ou pelos talk shows.

Mas isso é justamente o que “Amy” consegue: ao nos aproximar de sua protagonista nas várias fases da vida, é impossível não deixar de vibrar por suas conquistas ou sentir pena pelos seus tropeços, já que, por trás da talentosa cantora com claros problemas de saúde, havia uma Amy que cresceu influenciada pelo divórcio dos pais, que tentava demonstrar o amor a seus pares, e, ao mesmo tempo sentia-se incompreendida a todo tempo.

Kapadia ainda consegue, de modo sutil, nos transportar para os momentos mais felizes e também tenebrosos na vida da artista – um desses momentos, inclusive, é destacado de forma absolutamente exemplar, através de uma sequência de fotos, que, vai revelando, aos poucos, o retorno de um importante personagem à rotina da artista.

Assim, ao final da projeção, a sensação ao de sair do filme é que o espectador sinta-se emocionalmente desgastado não só pela perda de um incrível talento musical, mas de uma pessoa que, apesar dos defeitos (e quem não os têm?), foi responsável por trazer felicidade à muitos.

Mas, ainda com essa sensação, esteja recompensado por ter sido finalmente apresentado à artista além da caricatura que dela fizeram.

 

Nome: Amy (Reino Unido, 2015)
Data de lançamento no Brasil: 26 de setembro de 2015.
Duração: 2h 7min.
Direção: Asif Kapadia.
Nota: 5/5

 

Conteúdo nerd, com uma dose generosa de dendê

Comentários