Brincando de História, modo Nerd: A recriação Histórica, o Sworplay, o HEMA e o RPG

Nerd com Dendê . Há 3 anos atrás

A recriação Histórica, o Swordplay, o HEMA e o RPG

 

Somos todos Nerds. Aceite isso, caro ou cara (ou carx) leitor que vê estas mal digitadas linhas, e a vida se torna muito mais simples de ser digerida e seguida.

Uma vez que chegamos a essa conclusão, percebemos que possuímos características comuns que nos tornam parte de um enorme e feliz grupo: somos criativos, somos perfeccionistas em nossos passatempos escolhidos, somos competitivos no que nos dispomos a fazer e somos, acima de tudo, apaixonados por nossos objetos de admiração.

Tecnologia? Alguns de nós são capazes de truques que beiram a mágica, com aqueles objetos cheios de luzes e telinhas. Ciências aplicadas? Conheço pessoas que poderia participar de spin-off de Breaking Bad ou tem, como passatempo, mandar objetos para a estratosfera. Cultura Pop? Existem aqueles que podem citar e apontar diferenças entre a Espada Selvagem de Conan e Conan, o Cimério, por saberem quem fez parte das equipes de produção da Marvel, na época. Música? Jogos? Escolha a área e teremos nerds dedicados e elas.

Hoje, a mesmíssima coisa ocorre com a História.

Eu mesmo faço parte de alguns grupos que se dedicam, com maior ou menor fidelidade, ao estudo histórico de alguns períodos. Grupos que vão em níveis variados de interesse, mas com o mesmo nível de dedicação e afinco que outros dedicam à outras áreas.

– Mas o que isso tem a ver com Nerd? – Perguntam vocês.
– Tudo! – Respondo eu.

Desde a aposta realizada por amigos que acabou dando, como resultado, algumas das criações mais importantes da cultura pop (como Drácula, o Monstro de Frankenstein, Doutor Jekyll, senhor Hyde, além de outros) até os dias de hoje, passando por Tolkien e seus amigos ingleses com mundos fabulosos, misturar História com um pouco mais ou menos de imaginação sempre gerou frutos divertidos. Toda a literatura vitoriana bebe da franca apreciação de uma época, sendo, no entanto base para muito do que se faz ou escreve hoje. Se alguém gritou “steampunk”, está no caminho certo e me acompanhando.

A chamada fantasia medieval surge assim. Misturando conceitos medievalísticos ou mesmo medievalistas com franca imaginação. Escritores criaram mundo embasados em seus estudos de Línguas, Filosofia, Teologia, Sociologia e História.

Fiquemos com a inspiração do período medieval e teremos o medievalismo surgindo. Ou melhor, a medievalística. O Medieval se torna Pop.

O que descamba, ao final dos anos 70, no RPG, como o conhecemos. Elementos fantásticos criados tendo, como base, elementos reais. O Patrulheiro do jogo de RPG, embasado na figura dos arqueiros ingleses e caçadores presentes na Guerra dos Cem anos, que acabou por influenciar a criação da personalidade de Aragorn assim como na de Robin Hood. Paladinos jogáveis que são inspirados nas ordens de cavalaria da Idade Média (cruzadas) como os Templários e Hospitalários, como Beren ou mesmo Gil-Galad, ou mesmo Arthur nas lendas Inglesas. Posso passar mais alguns parágrafos falando disso e agradando a uns da mesma forma como desagrado outros…

O RPG surge do interesse de tornar o Nerd (ontem e hoje) parte do jogo, Parte da História assim como da estória contada. Títulos e mais títulos são criados a partir da premissa de que, com imaginação, podemos tomar espaço no jogo. Dos mais realistas aos mais fantasiosos.

Mas, em alguns momentos, o movimento toma o rumo de não apenas jogar dados sobre a mesa e imaginar, mas de refazer e vivenciar. Usar a imaginação ainda, mas levar tudo mais para o lado do real e palpável.
Entre eles, os grupos de Swordplay, HEMA e Recriação Histórica, que são as ideias levadas ao mundo que pode ser tocado experimentado com os sentidos.

Iremos descrever cada um desses três nichos em matérias posteriores, mas, de antemão, fica a simples definição na forma de uma escala de envolvimento co mo objeto de estudo dos envolvidos com essas atividades.

No swordplay, temos a utilização lúdica de simulacros de equipamentos de combate inspirados em períodos variados que são definidos pelos grupos. Esse simulacros são utilizados em situações de combate com alguma técnica aplicada, mas com muito mais foco na segurança e da diversão simples de “brincar de espada”. Como uma atividade desportiva que é, possui regras que podem varias de um luar para outro, mas sempre visando (em sendo um grupo sério de praticantes) a proteção e cuidado com o colega de atividade. Espadas, lanças, maças, escudos, flechas e demais equipamentos são utilizados apenas se comprovadamente seguros e segundo normas rígidas de proteção (contra excesso de força, ferimentos e golpes em áreas perigosas). Não há, por tanto, a necessidade de proteção específica para a pratica.

O HEMA é o estudo de esgrima e outras formas de combate com técnicas medievais (como o uso de arco ou mesmo espada longa alemã) e métodos de época que podem ser pesquisados e estudados por fazerem parte de acervos registrados. Os equipamentos de proteção envolvem máscaras próprias, o uso de gambeson (um equipamento de proteção usado desde idade média, que consiste em camadas de tecido costurado umas sobre as outras, de maneira a absorver os golpes) luvas específicas e armas sem fio ou corte (normalmente simulacros de materiais que não metal). É seguida uma rígida linha se ensino, por ser a recuperação de artes realmente utilizadas em combate nos séculos passados.

Já a recriação Histórica é a aplicação não apenas de armas, mas de toda a estrutura social envolvida. Não apenas golpear oponentes, mas vestir-se da mesmas forma, portando-se e usando modos do período desejado. Quando mais rigorosa a linha de recriação, mais fieis serão os detalhes e mais elaborados serão os desenvolvimentos de relação social envolvidos. As chamadas Feiras Medievais, Feiras Renascentistas, além de outros nomes, são eventos onde o tempo parece ter recuado em alguns mestres. Já estive em eventos onde até mesmo o uso de óculos corretivos eram desencorajados e que celulares câmeras eram simplesmente abandonados na entrada, salvo raríssimas exceções das equipes de divulgação. Já vi um fotógrafo disfarçar uma câmera dentro de uma figura religiosa, para vagar, como frei, e registrar, sem estragar o clima.

É possível encontrar opções dos dois primeiros tipos aqui mesmo em Salvador, sendo que o Grupo BCS – Batalhas Cênicas Salvador – as oferece todos os domingos, no Parque da Cidade. Como se pode imaginar, a terceira opção faz parte de um rol de eventos mais raros e, por isso mesmo, que não podem ser perdidos. Cito aqui o delicioso Anno Dommini (alto nível de realismo), de Minas Gerais, e o Banquete Medieval realizado anualmente em Feira de Santana (aqui pertinho), mais ligado à fantasia. Mas além disso, existe a possibilidade de alguns bons eventos que estão sendo planejados aqui mesmo, em Salvador.

Preparai tua veste, gentil senhor. Erguei tuas cores, gentil senhora. Possibilidades estão por vir.

Conteúdo nerd, com uma dose generosa de dendê

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