Ed Gein – Toda a história.

Vinicius Dias . Há 11 meses atrás

ATENÇÃO: ESSA MATÉRIA PODE CONTER RELATOS QUE PODEM SER CONSIDERADAS CHOCANTES PARA ALGUNS TELESPECTADORES.

Edward Theodore Gein, natural de Wisconsin, nos EUA, nasceu em 1906 e era filho de George e Augusta. Ele tinha um irmão mais velho, Henry, e seus pais se detestavam. Desde a infância, Ed era superprotegido pela mãe. Sua progenitora, muito religiosa, proibia Ed de conversar com mulheres, afirmando que “mulher boa era mulher morta”. Ela também o proibia de andar com garotos, para não acabar pecando como eles. Isso tudo acabou fazendo com que aflorasse em Ed o Complexo de Édipo. Além disso tudo, ele odiava seu pai alcoólatra, a quem chamava de “inútil”. Um dos maiores medos dele era se tornar igual ao pai desempregado.

Viveu por muitos anos  com seu irmão mais velho e sua mãe, em uma fazenda isolada da cidade, em Plainfield, Wisconsin, nos EUA. Ir para a escola era uma tortura, já que seus colegas não passavam um dia sem fazer bullying contra ele, afirmando que ele “parecia uma menina”.

Casa onde Ed Gein viveu, Wisconsin (EUA).

Em 1940, George, o pai dos meninos Gein faleceu e eles foram obrigados a trabalhar para ajudar nas despesas de casa. Nessa época, Henry, o irmão mais velho de Ed, começou a rejeitar as ideias da mãe controladora e, no início de 1944, o rapaz morreu em um estranho incêndio.

Ed teria ido à polícia para anunciar que seu irmão havia desaparecido. Entretanto, ele teria conduzido os policiais diretamente até o local onde o cadáver se encontrava. Além disso, exames posteriores revelaram que Henry havia sofrido um forte trauma na cabeça, mas o legista responsável teria decidido registrar a causa da morte como sendo asfixia.

Ed então passou a viver com a mãe, a qual ele era completamente devoto. Mas em dezembro de 1945, Augusta faleceu em decorrência de uma série de derrames, deixando o filho sozinho.

Augusta Wilhelmine Gein, mãe de Ed.

É nesse momento que Ed, completamente perturbado, começa a limpar apenas o cômodo em que sua mãe dormia, deixando o resto da casa com um cheiro intragável. Além disso, ele também passou a cultivar o hábito da leitura, mas as leituras feitas por Ed eram um tanto quanto peculiares: técnicas aplicadas por médicos nazistas em judeus e anatomia feminina eram as suas preferidas. Ele também lia os obituários e escolhia os defuntos que mais pareciam com a sua mãe

Ed tinha apenas um amigo, Gus. Depois de escolher o corpo no obituários,  ele enganava Gus, com o pretexto de furtar as lápides e desenterrar os corpos para “estudos científicos”. Em casa, Ed anatomizava os corpos e guardava algumas partes e órgãos- sempre do sexo feminino.

Posteriormente, passou a retirar a pele dos defuntos e fazia “roupas” (daí a inspiração para os filmes “O Massacre da Serra Elétrica” e de “O Silêncio dos Inocentes”).  Ele vestia um velho manequim com a pele das vítimas e fazia um ritual bizarro com cantorias, pulos e danças ao redor de sua casa.

Ed sonhava em ter condições financeiras para realizar uma cirurgia de redesignação sexual. Por isso, arrancava as genitálias femininas e as costurava nas calças que vestia.  Mas tudo começou a mudar quando Ed perdeu o “tesão” em fazer essas coisas e seu amigo Gus foi internado em uma clínica para pacientes idosos.

Foi então que Ed assassinou a sua primeira vítima. Mary Hogan foi baleada na cabeça em 8 de dezembro de 1954. O que Gein fez com cadáver de sua vítima foi realmente surreal. Retirou, como de costume, a pele do corpo para depois vesti-la. Decepou a genitália de Mary e a pintou de prata, deixando-a exposta em uma caixa de sapatos. Separou  ossos e utilizou-os para a confecção de móveis para a sua casa. Por fim, escolheu algumas especiarias humanas para fritá-las junto com alguns órgãos. Mary foi escolhida pela semelhança com a mãe de Ed.

Até hoje não se sabe quantas vítimas Ed fez, mas suas práticas macabras tiveram fim quando sequestrou e assassinou a mãe de um xerife local, Bernice Worden, que trabalhava em uma ferragem na cidade. Quando o seu filho entrou na loja e encontrou rastros de sangue, verificou que, no livro diário, constava o nome de Edward Gein.

Com a chegada do xerife à casa de Ed, o agora assassino foi logo falando que não podia ser culpado pela morte de Bernice, mesmo sem o xerife ter lhe perguntado nada. Isso fez com que o xerife o prendesse para averiguação.

Gein foi encaminhado por policiais até sua residência para ser inquirido. Chegando ao local, eles não acreditaram no que viram. Bernice estava pendurada de cabeça para baixo, fincada por um gancho (como os de açougue) sem cabeça e sem intestinos (que posteriormente foram encontrados em uma caixa).

O seu coração estava separado em um prato sob a mesa de jantar e outros órgãos estavam em pleno cozimento em uma panela. Mas isso não foi tudo que os xerifes encontraram: uma caixa de sapatos contendo vaginas, pulseiras, poltronas, um terno, uma bolsa, uma bainha de faca, calças, cadeiras, camisas, abajures e sutiãs feitos todos de pele humana;  um cinto confeccionado de mamilos; vários crânios, alguns enfeitando os pés da cama e outros servindo como pratos para sopa; entre outros.

Durante os interrogatórios, Gein revelou que apenas exumava cadáveres de mulheres de meia-idade que ele acreditava guardarem semelhança com sua falecida mãe. Ele também confessou que levava os corpos para casa, removia suas peles cuidadosamente e fabricava seus itens macabros. Ed ainda negou que tenha praticado sexo com as vítimas, dizendo que o cheiro delas era desagradável demais para isso.

O julgamento de Ed começou em 21 de novembro de 1957, onde ele se declarou inocente e alegou insanidade. Considerado mentalmente incapaz (e, assim, inapto para ser julgado) foi conduzido ao Central State Hospital for the Criminally Insane, em Waupun, em Wisconsin.  

Após passar 10 anos na referida instituição médica, Ed Gein foi considerado apto a ser julgado. A nova solenidade iniciou em 14 de novembro de 1968 e durou uma semana. Eddie foi considerado culpado de assassinato em 1° grau, mas o magistrado Robert H. Gollmar proferiu a sentença.

O magistrado foi contra a decisão dos jurados e declarou Ed “não culpado por razões de insanidade”. O carniceiro foi escoltado para a mesma instituição médica em que permaneceu por uma década sendo, após, encaminhado para o Mendota Mental Health Institute, um hospital psiquiátrico.

Ed passou o resto dos seus dias considerado um paciente modelo, sem trazer quaisquer problemas para o instituto, sempre demonstrando bom convívio com os demais pacientes. Embora elogiado, algumas funcionárias se queixavam que Gein costumava olhá-las fixamente toda vez que elas iam cuidar dele.

Por conta de um câncer, Ed morreu no dia 26 de julho de 1984, em virtude de uma insuficiência cardíaca e respiratória. Foi enterrado próximo de sua mãe, e apenas a alguns metros das sepulturas que havia violado três décadas antes para conduzir seus “estudos científicos”. 

Por ironia do destino, ao longo dos anos sua sepultura foi constantemente vandalizado por populares. A lápide do seu túmulo foi, ao final, também furtada.

Lápide original de Ed Gein.

Talvez você nunca tenha escutado falar em Ed Gein, mas com certeza já ouviu falar em “O Silêncio dos Inocentes”, “Psicose” ou “O Massacre da Serra Elétrica”. Todos esses filmes foram baseados nas atrocidades cometidas por Ed ao longo da vida.

OBS: Caso estejam curiosos, todas as imagens de móveis e outras parafernalhas feitas por Ed Gein podem ser facilmente encontradas na internet.

26 anos, formado em Letras, Espanhol e Literaturas e grande fã de filmes de terror.

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