Frank – a saga da prisão pessoal personificada na máscara

Nerd com Dendê . Há 3 anos atrás

Vivendo em realidades que se dividem entre a rotina online, com hashtags, expressiva, e sua frustrante vida física, de poucas palavras, o músico aspirante Jon Burroughs (Domhnall Gleeson) recebe uma chance inesperada de provar seu talento, ao substituir o tecladista de uma banda liderada por Frank (Fassbender), um excêntrico vocalista que usa uma caricata cabeça de papel machê, sem jamais tirá-la.

Porém, ele é surpreendido quando os integrantes da banda decidem ir para uma casa isolada, no interior da Irlanda, a fim de achar a inspiração necessária para compor o próximo disco, levando junto o músico novato.

É a partir daí que Jon passa a conhecer melhor  o “cabeça” – para não perder o trocadilho – do grupo, enquanto precisa lidar com outros membros da banda, que enxergam nitidamente sua falta de talento, como a namorada do vocalista, Clara (Maggie Gyllenhaal).

Variando entre a sátira e o drama psicológico, “Frank”, é um curioso estudo de personagens, que coloca protagonista e antagonista em constante conflito para mostrar como, embora pareçam interagir com outros indivíduos, evidenciam o quanto estão presos dentro de seu mundo particular.

Nesse aspecto, o roteiro de Jon Ronson e Peter Straughan acerta por estabelecer um tom que não torne o filme sério ou surreal demais, levando-nos a crer que aqueles personagens ou universo, mesmo embasados no absurdo de suas ações, são muito humanos – o que não seria possível também se não houvesse um talentoso casting para lhes dar vida.

Domhnall Gleeson ilustra, em seu olhar, e expressão de toda a ingenuidade e curiosidade de Jon em relação a novas experiências, e a baixa-estima de um músico que, em desespero, tenta encontrar inspiração para compor em praticamente tudo o que observa, se frustrando por não conseguir fazer um material consistente e original.

Por outro lado, Fassbender é realmente o destaque do filme. Trabalhando exclusivamente com a entonação da voz e os movimentos corporais para construir a personalidade do músico mascarado, o ator consegue ilustrar a obsessão pela perfeição, e a melancolia que o antagonista tanto parece abraçar.

Aparecendo pela primeira vez sob uma fumaça de gelo seco e sombras, evidenciando o aspecto “mitológico” da sua figura, Frank é o tipo de indivíduo que, mesmo no papel de líder, encontra dificuldades de sair do seu mundo particular, e, esconder-se no seu excêntrico capacete parece ter sido a forma que encontrou para não deixar que percebam as fragilidades que seu rosto poderia expressar.

Dirigido com o admirável cuidado estético e narrativo por Lenny Abrahamson (que um ano depois ganharia os holofotes com “O Quarto de Jack”), “Frank” é o tipo de filme que propõe levantar questões do que necessariamente responde-las. Mas, sua história talvez seja bizarra suficiente para forçar uma resolução.

Nome: Frank (EUA, 2014)
Data de lançamento: 14 de abril de 2015 (Brasil)
Duração: 1h35
Direção: Lenny Abrahamson
Roteiro: Jon Ronson e Peter Straughan
Elenco: Domhnall Gleeson, Maggie Gyllenhaal, Scott McNairy e Michael Fassbender.

 

Conteúdo nerd, com uma dose generosa de dendê

Comentários