House of Cards – 5ª temporada – Depois de uma queda na quarta, eles estão de volta mais fortes do que nunca.

Wendell Almeida . Há 4 anos atrás

Resumo da temporada: A quinta temporada acompanha Frank e Claire durantes as últimas semanas antes da eleição presidencial contra seu oponente, Will Conway. Enquanto Frank faz de tudo para se manter no mais alto cargo dos Estados Unidos perante ameaças do grupo terrorista OCI (Organização do Califado Islâmico), Claire tem outros planos, que podem atrapalhar as conquistas do marido.

A Netflix preparou uma jogada de Marketing logo no Teaser da 5ª temporada, que foi lançado no mesmo dia da posse do Donald Trump. Eles conseguiram com isso polemizar bastante, fazendo da serie um assunto bem comentado, e pela temporada começar justamente no período eleitoral, fazem certa alusão à insatisfação e outros aspectos da política Norte Americana. Além disso, temos também algumas referências às eleições Francesas e aquela briga entre “a nova e a velha política”, além do Conway representado em um estilo meio Emmanuel Macron e a forma como foi colocado na série: “o novo rosto” da política, e vemos também que o Brasil tem lá sua participação no enredo.

Além das polêmicas envolvendo a politicagem, a série teve muitos assuntos polêmicos como “insights” paralelos, onde não foram focados diretamente, mas são aqueles pequenos detalhes deixados ali para bons entendedores. E como essa foi à temporada da das controversias, mais uma vez a sexualidade do Frank volta a ser discutida, até mesmo o diretor da serie deu uma entrevista dizendo que recebeu diversas mensagens de fãs questionavam isso.

A direção de imagem e de filmagem fez um trabalho incrível, eles souberam destacar momentos mais fortes, expressões e linkaram isso ao momento vivido pelo personagem. Os roteiristas não ficaram devendo muito também, souberam destacar um número maior de personagens, mesmo que tudo esteja ligado ao Frank, outros personagens ganharam notoriedade, além do número de “histórias paralelas” em torno do Underwood aumentaram, mas essas histórias nada mais são do que os fantasmas do passado do Frank voltando para assombrá-lo, enquanto ele tenta ocultar eles, com novas manobras e politicagens.

Falando em destaque, além da Claire (Robin Wright) que vem se destacando cada vez mais a cada temporada, que atuação do Michael Kelly e do Campbell Scott! O Usher (Campbell Scott) era um desconhecido que de repente teve seus 5 minutos de fama na série, o personagem é o dito “Win Side”, gosta de estar sempre do lado vencedor no bom e velho estilo Underwood. E o que dizer do Doug (Michael Kelly)? Atuação perfeita!!! O Doug era bem questionado nas primeiras temporadas, a lealdade dele era sempre revista, já que ele era bem misterioso e dificilmente não deixavam alguma dúvida em relação à de que lado ele estava, mas ao decorrer da série, ele foi ganhando força e sua lealdade ao Frank foi se mostrando cada vez maior, até o ápice nessa temporada (não tem mais o que questionar, ele é o Floki versão House of Cards)

E se tratando de Usher, ele é mostrado como um “Frank Jr.”, sua mania de tomar decisões bem pensadas e estratégicas, estar sempre do lado vencedor e seu jeito manipulador, além da direção ter feito algumas referências, meio que repetido algumas cenas das temporadas anteriores, mas onde estava o Frank, foi colocado o Usher, dando a entender que o Usher pode ser uma pedra no sapato dos Underwood nas próximas temporadas, como o Underwood foi para outros personagens (Garret por exemplo)

O Frank quebrou uma percepção minha durante as quatro primeiras temporadas, onde a serie em alguns momentos parecia ser protagonizada pela presidência dos Estados Unidos, e ele como um narrador da história. No episódio 12, numa conversa com a Claire, ele faz uma explanação fantástica sobre o que ele chama de: “O poder por trás do poder”, e mostra que sua ambição ainda pode ir muito além, que a presidência não é tudo, e que ele quer mais, quer o controle absoluto.

E fiquei me perguntando, o que deram aos personagens? Essa temporada foi bem impactante, o Frank parecia enlouquecido, sempre com suas decisões frias e bem calculistas, mas com reações momentâneas bem explosivas, além da Claire, que ascendeu junto ao marido e agora é mais que a primeira dama, tomou seu lugar de parceira, e está também em busca de cada vez mais poder.

O  motivo de não ser “perfeita” tem nome: Thomas Yates (Paul Sparks). A meu ver, a série desperdiçou uns 2 episódios ao perder tempo com o Yates e sua melancolia Byroniana, sendo que, mais uma vez, ele trouxe um ar de monotonia a série, quebrando totalmente o ritmo em suas aparições durante o seriado (sério, ele foi muito chato).

Enfim, essa temporada superou o pequeno desastre que foi a anterior e trouxe um novo fôlego a série, agora é passar mais um ano esperando uma nova temporada. E se ainda não assistiu, pode esperar muita politicagem, suspense e muitas reviravoltas durante os 13 episódios da temporada.

Nome: House of Cards – 5ª Temporada
Lançamento: 2017
Duração: 55 minutos/ep
Direção: Beau Willimon
Elenco: Kevin Spacey, Robin Wright, Michael Kelly, Campbell Scott, Paul Sparks e Derek Cecil 
Gênero: Suspense, Drama
Nota: 4,5 / 5

Soteropolitano, 25 anos. Administrador, colunista nas horas vagas, poeta, cronista, crítico de filmes da Sessão da Tarde, seriados do SBT e livros que compra sem ter tempo de ler.

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