Laranja Mecânica – A violência gratuita de Stanley Kubrick

Háron Souzza . Há 4 anos atrás

Sinopse: No futuro, o violento Alex (Malcolm McDowell), líder de uma gangue de delinquentes que matam, roubam e estupram, cai nas mãos da polícia. Preso, ele recebe a opção de participar em um programa que pode reduzir o seu tempo na cadeia. Alex vira cobaia de experimentos destinados a refrear os impulsos destrutivos do ser humano, mas acaba se tornando impotente para lidar com a violência que o cerca.

“I’m singin’ in the rain, just singin’ in the rain”Alex DeLarge.

Não vou negar que sou um pouco fã de Stanley Kubrick…
Conheci Kubrick por acaso. Ouvi falar dele através de uma professora que era apaixonada pelo Hitchcock, mas não negava o brilhantismo de Stanley. Antes mesmo de assistir aos seus filmes, acabei descobrindo um pouco os feitos maravilhosos que ele realizou, e apesar de ter uma certa relutância em assistir alguns filmes tidos como “clássicos Cults”, eu me deixei levar, e devo dizer que me apaixonei.

No dia em que fui assistir a estreia do meu primeiro curta como diretor, tive o prazer de entrar nos bastidores e observar tudinho nos mínimos detalhes. Foi uma experiência mágica. Uma das coisas que encontrei na sala de projeção, foi uma cópia do trailer de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”. Ali, naquele momento, eu decidi me render e assistir todos os filmes de Kubrick, para aprender algo, de alguma forma.

Então, vamos falar um pouco sobre Laranja Mecânica.

Laranja Mecânica é um clássico, todo mundo sabe disso. Mas eu quero analisá-lo de uma forma diferente. Cantando na chuva, eu vou falar sobre a experiência que foi assistir a esse filme magnífico. Para começar, temos que falar da atuação do Malcolm McDowell. Uma maestria para um iniciante no cinema. Como não amar os sorrisos do druguinho? Pois bem, continuemos…

Kubrick nos presenteou com uma atmosfera que inicialmente nos incomoda (ao menos a mim). Violência gratuita, estupros e barbáries, praticadas por 4 adolescentes imbecis (senti raiva e vontade de socar a cara do Alex). Mas não, o filme não é uma mostra cinematográfica dos males que o homem – sim, me refiro ao sexo masculino – pode causar pelo simples querer ou prazer. Ele vai além disso…

Stanley não queria criar um personagem para ser odiado, ele queria te fazer sentir pena de quem você inicialmente sentiu raiva, e meus amigos, ele conseguiu. Com a ajuda de Beethoven, Kubrick conseguiu transformar o vilão em mocinho… Mas, qual o propósito?

Seria fazer-nos questionar até onde é permitido as punições aos criminosos? Fazer-nos achar que até os piores são dignos de pena? Ou nos mostrar que os monstros estão dos dois lados da lei? Ao meu ver, em um dos lados, fomos presenteado com o Alex e sua trup da violência gratuita, quebrando regras e infringindo a lei. Do outro lado, um grupo de cientistas, usando métodos desumanos para humanizar os desumanizados, monstros consertando monstros, com métodos monstruosos…

Então, meus caros, peguem seus copos de leite e sentem-se para assistir a um clássico que apresenta muitas controvérsias e discussões nos seus 137 minutos de duração. Preparem-se para uma direção magnífica, marca do Stanley Kubrick. Uma direção de fotografia agradável, com planos e sequências maravilhosas. Uma direção de arte com itens de cenário bastante simbólicos. Uma atuação que vai te deixar fascinado, e uma trilha sonora que, querendo ou não, vai grudar na sua cabeça por semanas…

Nome: Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, EUA, UK, 1971)
Data de lançamento: 26 de abril de 1972.
Duração: 2h 16min
Direção: Stanley Kubrick.
Elenco: Malcolm McDowell, Patrick Magee, Michael Bates e mais
Gênero: Ficção científica, Drama, Policial.
Nota: 4/5.

Soteropolitano, 26 anos, publicitário que ama quadrinhos e ganha a vida testando jogos. Fãboy da Blizzard, ama suspense, terror, ficção cientifica e drama.

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