Mitos Gregos e A Jornada do Herói Na Contemporaneidade

Peu Agra . Há 3 anos atrás

Os mitos gregos são contados a milênios, seus protagonistas encarnam heróis com poderes divinos e enfrentam monstros e divindades em busca de poder e glória, estórias que até hoje são adaptadas para as mais diversas mídias. Essas narrativas possuem bastante semelhança em sua estrutura e baseado nisso o antropólogo Joseph Campbell criou o conceito de Jornada do Herói.

O Monomito, como também é chamado, se define como uma estrutura cíclica nas narrativas composta por estágios pelos quais o herói deve superar em sua jornada. Segundo Campbell muitos personagens de diversas culturas seguem esse formato em suas representações, sejam elas mitológicas como Jesus Cristo e Buda, ou literárias como Homero e Pinóquio.

Evidentemente, o cinema também se apropria desse conceito na construção de seus protagonistas, Luke Skywalker em Star Wars (1977) e Marty McFly em De Volta Para O Futuro (1985) são bons exemplos; o primeiro evoluiu de um jovem catador de lixo para salvador da galáxia, o precisou consertar a linha do tempo para salvar sua família o seu futuro. Entretanto, enquanto que na antiga Grécia os heróis representavam ideais de altruísmo, atualmente o público tem demonstrado um interesse muito maior por personagens que fogem a esse estereótipo.

Em 2016 Deadpool foi um sucesso de bilheteria e mesmo sendo um personagem de quadrinhos se difere justamente por subverter a ideia popular de super-heróis, pois ele não age por heroísmo isso porque tem seus próprios objetivos e possui métodos não ortodoxos para conseguir o que deseja. No cenário nacional também possuímos um personagem muito importante que segue esses moldes: Macunaíma (Mario de Andrade – 1928) é conhecido como Herói Mal Caráter por conta de seu comportamento egoísta e suas atitudes egocêntricas, ele e Deadpool são os chamados Anti-Heróis.

Travis Bickle (Taxi Driver – 1976); Ferris Bueller (Curtindo a Vida Adoidado – 1989); Jack Sparrow (Piratas do Caribe – 2003); Max Rockatansky (Mad Max – 1979) são amados protagonistas que superaram as fases da Jornada do Herói cada um da sua própria maneira e em sua própria realidade, e o que todos tem em comum? Fizeram por objetivos individuais, ou seja, são Anti-Heróis, ainda assim conquistaram o respeito e admiração do público sendo venerados hoje como os heróis gregos eram em seu tempo.

A construção de um personagem envolve diversos fatores relacionados com o efeito que se pretende obter através dele, por isso é comum a repetição de estereótipos quando esses se mostram agradáveis aos olhos do público. Os heróis altruístas e honrosos representam um ideal de esperança e isso de certa forma é importante, mas nada impede que personalidades menos engessadas também tenham seu espaço; é necessário para a identificação com o público que as personas que vemos na tela tenham defeitos como os que a gente tem, ambições, traumas, falhas de caráter, tudo isso os torna mais humanos, afinal, numa sociedade cheia de falhas, heróis com a perfeição divina não se encaixariam tão facilmente.

Cineasta em formação, fotógrafo por diversão, artista em evolução e escritor, por que não? Também sou o pai de Joaquim, o bebezudo.

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