Oh Vei … Cê conhece esse livro? #04 ESPECIAL THRILLER PSICOLÓGICO

Vinicius Dias . Há 5 meses atrás

Muita gente sabe que um thriller é caracterizado por plot twists, ação e viradas bruscas em seu roteiro. Mas o fato que ainda é desconhecido para alguns leitores, é que existem vários tipos de thrillers: médico, criminal, espionagem, erótico, conspiração…

Um desses tipos, é o Thriller psicológico, onde a maior parte da trama acontece por meio de conflitos internos, desenvolvimento comportamental dos personagens e não por ações propriamente ditas. Sabe aquela coisa de “Meu Deus, será que eu tô ficando maluco?” Pois é, o caminho é esse mesmo. Geralmente, esse subgênero é caracterizado por fazer o leitor acreditar que não pode confiar 100% no que diz o protagonista da história. Fica sempre aquele ar de dúvida e a espera de que uma grande reviravolta aconteça e faça toda teoria criada na sua cabeça cair por terra.

O Colecionador, Caixa de Pássaros e a sua continuação Malorie, Ilha do Medo, Misery, A Paciente Silenciosa e Entre Quatro Paredes, são exemplos de thrillers psicológicos que farão você se perguntar sobre a sua própria sanidade.

Se falarmos em sétima arte, a lista é ainda bem maior e entre os mais comentados podemos destacar: Corra!, Cisne Negro, Fragmentado, Mãe!, Nós, O Sexto Sentido e uma infinidade de filmes que farão sua mente expandir.

Mas hoje vamos falar só dos livros! Vou indicar algumas narrativas bem peculiares, só para os de juízo perfeito! Er….

CAIXA DE PÁSSAROS

“As criaturas são como o infinito. Algo complexo demais para nossa cabeça.”

Basta uma olhada para desencadear um impulso violento e incontrolável de matar as pessoas e acabar se matando. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles Malorie e dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão.

O romance de estreia de Josh Malerman pode ser definido em uma palavra: CLAUSTROFÓBICO!! É como se o leitor estivesse a todo tempo vendado, sem saber o que o aguarda na próxima página.

O livro é narrado mesclando passado e presente. Mostrando tudo que Malorie teve que enfrentar desde quando “as criaturas”  faziam as suas primeiras vítimas, até o momento em que ela resolve desbravar um rio junto com os seus dois filhos de 4 anos.

Com toda certeza eu indico o trabalho de estreia do Malerman, um romance desesperador que fará você devorar todas as páginas em pouquíssimo tempo.

Sobre a adaptação para as telonas? A gente finge que não existiu.

4/5⭐ / Editora: Intrínseca / 272 páginas

 

MALORIE

Na continuação de Caixa de Pássaros, acompanhamos o que aconteceu com Malorie e seus filhos (agora com 16 anos), depois da tentativa deles em atravessar o rio e viver em um lugar minimamente confortável.

A trama é focada no crescimento dos filhos de Malorie, bem como toda a carga de “rebeldia” que a adolescência carrega. Tom e Olympia agora estão se perguntando como é o mundo por trás das vendas e questionando o cuidado exagerado que a mãe tem.

Assim como no seu antecessor, Malorie tem uma atmosfera que faz com que a gente queira sempre saber o que vem a seguir (ainda mais depois de uma notícia que Malorie recebe que muda toda a história).

Confesso que em muitos momentos senti raiva dos filhos de Malorie, especialmente de Tom, que a todo momento questionava os cuidados que a mãe tinha com ele. Meu único pensamento era: “ah, deixa esse menino insuportável morrer logo”. Mas toda essa rebeldia acaba servindo de combustível para uma reviravolta de tirar o fôlego (sem mais explicações para evitar o spoiler).

Sem sombra de dúvidas eu indico Malorie, principalmente para aqueles leitores que se amarram em um bom thriller. E se você for como eu, que tem um mini infarto a cada plot twist: sugiro que tome um suquinho de maracujá e leia da mesma forma.

4/5⭐ / Editora: Intrínseca / 288 páginas

 

MISERY

” Você também foi Sherazade de si mesmo”

Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor.

No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado.

Essa foi, sem dúvidas, uma das leituras mais angustiantes que fiz esse ano. Toda a ambientação criada por King e a descrição detalhada dos poucos personagens, só serviram para que o terror psicológico me atingisse logo nas primeiras páginas.

“Sua fã número um”

Annie é uma vilã digna de todo ódio que você possa sentir durante a leitura. Mesmo sendo nítido para o leitor que ela tem algum problema psicológico, as atrocidades cometidas pela fã número um do Paul, fazem com que você não consiga sentir pena dela em nenhum momento da narrativa.

“Ele se recostou, cobriu os olhos e tentou agarrar-se à raiva que sentia, pois a raiva o deixava valente. Um homem valente conseguia pensar. Um covarde, não.”

A ânsia de Paul pela fuga e para vingar-se de tudo que Annie tinha feito ele passar, vão fazer você engolir as mais de 300 páginas do que eu considero ser um dos livros mais claustrofóbicos do King.

Não espere nada de sobrenatural nessa obra. Aqui você só terá contato com a maldade no seu estado mais puro.

5/5⭐ / Editora: Suma / 328 páginas

 

O COLECIONADOR

Em mais uma edição fantástica da @darksidebooks ao lançar um livro que mais parece um quadro de tão lindo,  “O Colecionador” é o romance  de estreia de John Fowles. Publicado em 1963, o livro conta a história de Frederick Clegg, um um homem solitário, de origem humilde, menosprezado por uma sociedade esnobe, que encontra o grande amor de sua vida. Tudo o que ele deseja é passar um tempo a sós com ela, demonstrar seus nobres sentimentos e deixar claro que eles nasceram um para o outro. Em contrapartida, conhecemos também Miranda Gray, uma jovem estudante de artes sequestrada por Clegg, que acha que pode obrigá-la a se apaixonar por ele. Tudo o que ela deseja é escapar do cativeiro, e vai usar de toda sua inteligência para sobreviver ao inferno em que sua vida se transformou.

Dividido em 4 capítulos, somos apresentados a visão de Clegg e Miranda durante a sua “estadia” no porão da casa afastada do mundo civilizado ao qual a protagonista estava acostumada.  É assim que Fowles destaca em seu Thriller as visões antagônicas do mundo.

Durante algumas páginas nos compadecemos com a dor de Miranda e sentimos pena do sequestrador, mostrando que no fim sempre levamos dentro da gente um pouco de cada um dos mundos.

Com um final angustiante e digno de títulos para John Fowles, a única coisa que podemos pensar é que Stephen King estava certo ao afirmar que: “As últimas quarenta páginas de “O Colecionador” estão entre as leituras mais compulsivas do século XX”.

Sem sombra de dúvidas, o livro de Fowles não é uma leitura para muitos e pode possuir conteúdo sensível para alguns leitores. Mas eu e o meu gosto peculiar adoramos e com certeza já está no meu top 5 da vida!!!

Conta aqui se voce já leu algum desses livros e se tem mais algum thriller psicológico para indicar!!

26 anos, formado em Letras, Espanhol e Literaturas e grande fã de filmes de terror.

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