Os Porcos e o Poder: Orwell e A Revolução dos Bichos

Wendell Almeida . Há 3 anos atrás

Bem, a Revolução dos Bichos retrata a história de uma granja, chamada granja solar, onde certo dia, os animais se revoltam e expulsa o fazendeiro, ficando para eles a tarefa de gerir a granja. No início era tudo muito lindo e tranquilo, até que Orwell, começa a colocar toda sua acidez e crítica que foram mostradas também em 1984. Á partir deste ponto, em um cenário onde o mundo ainda convivia com a segunda guerra mundial, que viria a ter fim alguns meses após o lançamento do livro, o qual, utiliza suas páginas para dirigir duras críticas aos regimes totalitários estabelecidos na época, e, a “falta de humanidade” quando o poder e a hegemonia está em jogo.

Mesmo sendo considerado uma fábula infanto-juvenil, acaba entrando no hall dos “livros infanto-juvenis feitos para gente grande” junto com obras como: Vinte Mil Léguas Submarinas [Júlio Verne]; Os Miseráveis [Victor Hugo]; Alice no País das Maravilhas [Lewis Carroll]; Os Três Mosqueteiros [Alexandre Dumas] e alguns outros.

Enquanto se lê, você se depara projetando aqueles animais e posturas em si, na sua vida, em conjunturas sociais e políticas; e de repente, o que começa a se passar, é: Quem são os porcos enquanto o poder está em jogo? E aí mora a genialidade de Orwell, onde, metaforicamente, de certa forma, “cataloga” posturas e formas de determinados grupos da sociedade e dá vida a estes comportamentos nestes animais. Os porcos por sua vez, intitulam-se “intelectualmente superiores” [Não, isso não é spoiler, é parte da sinopse], e ao que começa aquele pensamento de Wilde onde, “A vida imita a arte” [Seriam os porcos, Dorian Gray, ou o Grande Egoísta?].

O livro cria um universo propício a uma discussão que podemos linkar à Máquiavel e interpretarmos ações por meio da Virtú e também por uma sacada mais Hobberiana, onde ele diz que: O homem é Lobo do homem; ou seja, pela sede de poder e “ascensão”, o Ser é capaz de barbaridades até mesmo contra sua própria espécie e semelhantes. E essas ideias são apresentadas mais claramente no final o livro [o qual, diga-se de passagem, foi uma sacada e tanto], onde podemos nos perguntar: O poder corrompe ou apenas “desmascara” o corrompido? Além da dúvida que fica de que: Será que todos não temos porcos dentro de nós?

Soteropolitano, 25 anos. Administrador, colunista nas horas vagas, poeta, cronista, crítico de filmes da Sessão da Tarde, seriados do SBT e livros que compra sem ter tempo de ler.

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