POCAHONTAS — A verdadeira história

Alessia Sales . Há 10 meses atrás

Em 7 de Julho de 1995, Pocahontas estreava no Brasil como a 33ª animação dos Estúdios Disney, sendo a primeira cuja personagem principal foi baseada numa figura real. Nesse caso, na lenda que cerca a índia norte-americana, que nasceu em 1595 e morreu em 1617. O filme foi dirigido por Mike Gabriel e Eric Goldberg, e faz um retrato ficcional do encontro histórico de uma nativa-americana com o inglês John Smith e seus colonos, em Jamestown, que chegaram a partir da Virginia Company.

Com opiniões mistas, muitos críticos elogiaram o filme por sua animação e música, enquanto outros criticaram a história e imprecisão histórica. No entanto, o filme foi um sucesso comercial, arrecadando US $ 346 milhões em bilheterias do mundo todo. Pocahontas recebeu dois Oscar para a sua música: Melhor Trilha Musical ou Comédia e Melhor Canção Original para “Colors of the Wind” (Cores do Vento). Mas quem foi Pocahontas, afinal?


Matoaka (Pocahontas)

Nascida em 1595, na região chamada, pelos índios, de Tenakomakah, era filha do chefe Powhatan e, na verdade, recebeu o nome de Matoaka, sendo Pocahontas apenas um apelido. Uma das versões da história conta que, com 12 anos de idade, a índia teria convencido o pai a não matar um soldado britânico, John Smith, para não atrair o ódio dos colonizadores. O soldado em questão era um homem de meia idade, de barba e cabelos longos, e líder dos colonos ingleses.

A história conta que, através de Smith, os Powhatan fizeram as pazes com os soldados. Algumas versões negam que a índia e o soldado tenham se apaixonado. Em 1609, John Smith teve que voltar para a Inglaterra para tratar de ferimentos após um acidente com pólvora. A paz durou pouco e Pocahontas foi aprisionada pelos ingleses e levada para Jamestown – o primeiro assentamento britânico e capital da colônia no continente americano, no atual estado da Virgínia, onde permaneceu durante um ano.

Aprisionada, Pocahontas aprendeu o cristianismo, foi batizada, recebeu o nome de Rebeca e aprimorou o seu inglês. Foi quando o coronel John Rolfe demonstrou um especial interesse pela jovem índia que, condicionada à ser libertada, teve de casar-se com ele – o primeiro casamento registrado entre um europeu e um nativo americano. Rolfe era um importante comerciante de tabaco e, logo após a união, tiveram seu primeiro filho que foi chamado de Thomas Rolfe.

Na primavera de 1616, Rolfe levou-a para a Inglaterra, onde a Companhia Virginia de Londres a utilizou em uma campanha de propaganda para apoiar a colônia de Virgínia, sustentando-a como símbolo de esperança para a paz e boas relações entre os ingleses e nativos americanos. ‘Rebecca’ foi vista como o exemplo de uma ”selvagem” civilizada, e Rolfe foi banhado a elogios por sua realização em trazer o cristianismo para as ”tribos pagãs”.

A índia chegou a encontrar-se com John Smith, que estava na Inglaterra na época, e declarou que estava decepcionada por ele não ter tomado medidas para manter a paz entre sua tribo e os colonizadores. Dizem que ela ficou tão furiosa com ele, que virou-lhe as costas e saiu – muito diferente do caso de amor eterno entre os dois, conforme retratado no filme Disney.

John Smith

Em Março de 1617, a família Rolfe partiu para Virgínia. Durante a viagem, Pocahontas ficou gravemente doente, tendo de ser levada para fora do navio, em Gravesend. Ela morreu no local, em 21 de março de 1617, com apenas 21 anos de idade, não completando sua viagem de volta pra casa. Seu corpo foi sepultado em uma igreja em Gravesend, mas seu túmulo foi destruído, tempos depois, por conta de uma reconstrução do local.

Somente depois da sua morte, e fama na Corte e sociedade de Londres, que John Smith achou conveniente inventar que ela o havia resgatado. Pocahontas nunca suportou as mentiras inventadas por ele. Com isso, nos questionamos o que a jovem índia teria pensado sobre a produção cinematográfica, em ela e seu povo foram reduzidos à meros indígenas, apaixonados e súditos dos europeus.

Soteropolitana, 24 invernos; quase uma publicitária. Escritora crítica e ficcionista, louca da Disney, viciada em RPG online e iludida por acreditar que vai namorar o Tom Holland.

Comentários