Porque Digimon é Melhor que Pokémon – Acabando de vez com a treta, ou só disseminando ainda mais.

Peu Agra . Há 4 anos atrás

No final dos anos 90, se iniciou no mundo um dos maiores conflitos de todos os tempos. Crianças de várias partes do mundo defendiam seu lado fervorosamente, amizades foram desfeitas, e até hoje, quase 20 anos depois ainda se discute qual é melhor: Pokémon ou Digimon? Explicarei agora, meus argumentos para acabar de vez com esse dilema!

Origens:

Pokémon é baseado em jogos de RPG lançados pela Nintendo para Gameboy em 1996. Após revolucionar o mercado da época, o título logo se tornou uma franquia e em pouquíssimo tempo o anime foi lançado, o que aumentou ainda mais sua popularidade.

Para não ficar em desvantagem, a distribuidora japonesa Bandai encomendou o anime Digimon, com o intuito de competir com a concorrente que estava dominando o mercado de brinquedos. Como fonte de inspiração, os produtores utilizaram os Tamagotchis conhecidos aqui no brasil como “bichinhos virtuais”. Talvez por conta disso, muitos defendam o argumento de que Digimon é uma cópia de Pokémon, porém quem entende um pouco de mercado/concorrência sabe que essa prática é muito mais comum do que parece.

Monstros:

A história de Pokémon acontece em um universo onde não existem animais, e sim esses monstrinhos com habilidades especiais que tem a capacidade de evoluir permanentemente para formas mais poderosas. Eles não possuem um vocabulário próprio se resumindo a repetir os sons de seus nomes, e uma inteligência limitada. Os treinadores capturam uma certa quantidade de pokémons para usar em batalhas esportivas.

Em Digimon, os monstros habitam um universo paralelo ao nosso, formado por dados digitais. Eles possuem um vocabulário vasto, se comunicando abertamente com os humanos e também possuem a habilidade de evoluir para formas mais fortes, no entanto, caso a evolução ocorra pelo uso de Digivices, ela é temporária e a criatura volta a seu estágio anterior logo após. Neste universo, os humanos são “invocados” quando algo ameaça à integridade do Digimundo e cada um se alia a uma criatura.

Público Alvo:

Agora vamos aos aspectos técnicos que definem o porquê acredito que Digimon é Melhor que Pokémon.

O desenho dos Monstros de Bolso que tem como público alvo crianças, no Japão são chamados Kodomomuke. Por conta disso, o desenvolvimento de seu enredo é muito mais leve para que o entendimento seja mais fácil. Mesmo tendo como plano de fundo a vontade do protagonista Ash de se tornar um Mestre Pokémon, a história não se foca exatamente nisso e cada episódio tem seu próprio desenvolvimento e conclusão, sem estender as tramas ou explorar sub tramas de personagens secundários. Os traços da animação também são mais simples, usando bastante cores mas poucas texturas e com alguns aspectos mais cartunescos.

Já os Monstros Digitais, tem o foco voltado para a galera pré-adolescente, os famosos Shonen. O enredo é mais denso, com um plano de fundo convincente que é explorado ao longo de toda a série, mesmo que os episódios tomem outros caminhos. O desenvolvimento de personagens é mais profundo e a animação é rica em detalhes com uma paleta de cores que, apesar de se manter colorida, faz bastante uso de sombras. O desenho também fala de forma mais aberta sobre temas como relacionamentos e morte, o que na outra série é colocado de forma subjetiva e quase nula.

Desenvolvimento de personagens:

   

Por mais irônico que pareça, é bem correto dizer que em Pokémon os personagens não evoluem. O que eu quero dizer com isso? Veja bem, analise os protagonistas de outras obras, como Naruto por exemplo, ao longo de toda a série o personagem foi passando por uma série de transformações morais que implicaram em um amadurecimento de vários aspectos da sua vida, ou seja, ele adquiriu maturidade. Isso já é visível na virada de uma temporada para a outra, ao contrário de Ash, que inúmeras vezes cometeu erros os quais já havia cometido outras vezes, demonstrando assim que ele não aprendeu com as situações que enfrentou. Isso acontece, pelo fato de o roteiro ter colocado aquela situação ali como um dilema ocasional e não algo que servisse para a formação do caráter do personagem.

Profundidade é importante tanto para o protagonista quanto para os coadjuvantes. Em Digimon Adventure por exemplo, tanto o Tai, quanto as outras crianças e até os monstrinhos possuem uma profundidade emocional que é explorada a finco durante a série. Enquanto Brock e Misty servem apenas como alívio cômico ou suporte para Ash, Matt se mostra com sentimentos confrontantes em relação a sua amizade e posição de Tai no grupo, Mimi busca encontrar sua força interior para deixar de ser tão sensível e mais proativa como seus amigos, Joe passa a enfrentar seus medos pois entende que eles o limitam e podem acabar prejudicando ele e seus amigos, e seus parceiros acompanham esse desenvolvimento a medida que a ligação emocional é um dos gatilhos para a digievolução. Isso tudo é importante para dar profundidade ao roteiro e para gerar a identificação do público com os personagens.

Antagonistas:

Até aqui já podemos confirmar algo que talvez não fosse tão evidente durante as primeiras temporadas, mas hoje quase 20 anos após seu lançamento, é notável que Pokémon claramente não se leva a sério, e o maior exemplo disso é a Equipe Rocket. Voltamos aqui a bater na tecla dos episódios com roteiro raso e dos personagens sem profundidade para falar sobre os vilões mais amados de nossa geração. Uma coisa tenho que assumir, o trio formado por Jessy, James e Meowth era responsável por boa parte da diversão no anime, sempre com suas aparições inoportunas causando o maior problemão, e arrancando boas risadas do público. O problema é que eles só tinham esse propósito, apesar de serem os principais antagonistas da série, eles serviam mais como um alívio cômico e não representavam nenhuma ameaça para os protagonistas. O momento de clímax dos episódios se baseava mais no humor do que na tensão, e mesmo já tendo sofrido de todas as formas, eles continuam tentando executar seus planos para sempre fadados ao fracasso, sendo assim, o maior exemplo de personagens sem evolução.

Entretanto em Digimon, a coisa toma um rumo diferente, cada arco do anime apresenta um vilão com personalidade própria que representa uma ameaça real para os personagens. Devimon separou os digiescolhidos pelo digimundo, forçando-os a enfrentarem seus medos sozinhos; Etemon controlava um enorme exército por todo o mundo. Graças a ele, os personagens buscaram sua força interior para que os digimons alcançassem um novo nível de evolução, e aprenderam que determinadas coisas tem que acontecer naturalmente ou as consequências podem não ser positivas; Myotismon veio ao mundo humano e na procura pela oitava criança escolhida fez os jovens valorizarem seus laços familiares; e Apocalymon junto dos Mestres das Trevas lançaram para os personagens desafios onde eles colocariam a prova tudo o que aprenderam até agora, tendo que deixar de lado seu orgulho para provar sua maturidade. Mesmo sendo bastante caricatos, os digivilões funcionam como uma sátira aos medos e incertezas que as crianças costumam ter, e se transformam em uma analogia de como enfrenta-los.

Conclusão:

                                      

Independente do tom, do desenvolvimento dos personagens, ou qualquer outra coisa comentada aqui, o que importa é o gosto pessoal. Tanto Digimon quanto Pokémon fizeram parte da minha infância e me divertiram igualmente. Por alguns poucos motivos, criei preferência por um, o que não impede ninguém de gostar do outro. Acima de qualquer aspecto técnico, está a preferência individual. Então por mais que Digimon tenha pontos que se sobressaem, os fãs de Pokémon também vão encontrar outros aspectos em que o mesmo tenha vantagem. Enfim, uma série não diminui outra, são programas diferentes, para públicos diferentes, – e por mais estranho que possa parecer-  com temáticas diferentes, que vão causar sensações diferentes em cada um que assiste. Esse artigo foi apenas uma brincadeira, onde aproveitei para expor meu ponto de vista, mas deixo avisado que mesmo sendo um Digifã, ainda quero ser um mestre Pokémon, e um Saiajin, e um Cavaleiro de Athena, e tudo mais que a minha imaginação me permita, porque crescer não significa perder a nossa criança interior!

Cineasta em formação, fotógrafo por diversão, artista em evolução e escritor, por que não? Também sou o pai de Joaquim, o bebezudo.

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