Quando o Inovador se Torna Clichê

Peu Agra . Há 3 anos atrás

O mundo vive uma constante ameaça de guerra, nações de enorme poder bélico estão sob tensão por conta de suas ideologias políticas e suas necessidades econômicas, e alguns estudiosos chegam a afirmar que a Terceira Guerra Mundial é apenas questão de tempo. Diante disso é importante ter em mente algumas dicas de sobrevivência para o caso de ser convocado a servir ao país no combate, e a mais importante delas é: Nunca mostre uma foto de um ente querido que esteja esperando o seu retorno!

Situações como essas são comuns nos filmes de guerra, o jovem mostra a foto da namorada que o aguarda em casa e num próximo conflito acaba morrendo, tudo isso para dar uma dramaticidade e motivação ao protagonista. Em uma época em que já se criou muita coisa é comum que obras mais recentes repitam cenas afim de alcançar o mesmo impacto no público, porém com o tempo essas fórmulas prontas vão se tornando cansativas por não oferecer nenhuma novidade e nós somos bombardeados por uma infinita quantidade de clichês.

Por outro lado, por estarmos acostumados com determinados padrões adquirimos um certo estranhamento quando nos deparamos com algo que se difere dos formatos convencionais. Após assistir ao filme Entre Abelhas (2015), lembro de ouvir comentários sobre não ser engraçado, e de fato não era pra ser; porém quando se fala em Fábio Porchat as pessoas já esperam mais uma comédia nacional, o mesmo aconteceu com Charlie Chaplin quando lançou o drama Casamento ou Luxo em 1923.

Se falando em desgaste por falta de inovação podemos citar o gênero Terror, inicialmente contestador por ir contra a ideia de divertir e buscar atingir o espectador por meio da catarse, hoje é muitas vezes motivo de críticas por abraçar “regras” que muitas vezes reforçam ideias retrógradas. O negro é sempre o primeiro a morrer, quem tiver relações sexuais tem o fim garantido e a garota virgem é a única que sobrevive; convenhamos que no contexto atual que vivemos isso funciona mais como piada do que como ameaça, enxergando por esse ponto a quadrilogia Pânico (1996 – 2015) inova por trazer filmes de terror que ironizam o gênero através de um processo de metalinguagem.

O problema é que existe um receio dos grandes estúdios quando se fala em investir em estórias com contextos inovadores, pois uma ideia mal executada pode acarretar grandes prejuízos e a perda de dinheiro. Isso é uma das explicações para a nova onda de revitalização de clássicos como, Mad Max – Estrada da Fúria (2015) e o mais recente Blade Runner- 2049 (2017) que são nomes já conhecidos e por isso oferecem uma segurança maior de aceitação do público e retorno financeiro, claro que o tiro pode sair pela culatra As Caça fantasmas (2016) tá aí pra servir de exemplo.

É comum a repetição de estereótipos quando esses se mostram agradáveis aos olhos do público, porém, inovação é algo que sempre se deve levar em conta em qualquer atividade que se esteja exercendo, no cinema existe um espaço quase sem limites a ser explorado e o fato do leque de ideias inovadoras ter diminuído só torna tudo mais interessante, pois aquele que consegue ser original em meios a tantos clichês com certeza será reconhecido e valorizado.

Cineasta em formação, fotógrafo por diversão, artista em evolução e escritor, por que não? Também sou o pai de Joaquim, o bebezudo.

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