RPG Online – Um Universo Desconhecido

Alessia Sales . Há 1 ano atrás

Quem nunca ouviu a frase “Os Fakes vão dominar o Orkut!” que atire a primeira pedra na equipe do NCD! E como dominaram… o que vocês não sabem, é que esse mundo de perfis fakes se tornou algo muito maior do que estávamos acostumados a ver. Quer saber mais sobre isso? Chega aqui e vem ler essa matéria 100% diferente!


Desde o surgimento do Facebook, os perfis pessoais foram abandonando o Orkut e deixando espaço somente para os famosos Fakes que, como prometeram, foram dominando a rede social até que ela chegasse ao fim. O curioso era que os perfis não eram só para o uso de fotos editadas, tampouco para gerar sub-celebridades como Gabriela Sampaio e Anne Forfun.

O mundo Fake, aos poucos, cresceu e se tornou uma das maiores maneiras de jogar RPG Online. Por dentro das comunidades, histórias e tramas eram criadas, personagens eram desenvolvidos e o modo como o jogo era feito… bem, é bastante curioso. Os fakes tomaram conta de outras redes sociais e, hoje, são encontrados no Facebook, VK, Twitter, Tumblr e Yoble.

Um pequeno parênteses informativo: Yoble é uma rede social quase idêntica ao Orkut, e foi desenvolvida com foco nesses rpgistas que se escondem por aí! O site envolve a estrutura de scraps, depoimentos, atualização de status, comunidades e os famosos perfis decorados com HTML. Tudo para deixar o perfil mais “a sua cara”… ou a cara do seu personagem! Mas você deve estar se questionando como se joga rpg com perfis fakes, certo? Com regras quase idênticas de uma rede social para a outra, os jogos nas redes sociais também são conhecidos como “RPBR (Role Playing Brasil). Vamos saber como funciona?


Qual é o tema e/ou o universo desse RPG?
O RPBR abrange todo tipo de trama (ou plot) que você imaginar. Existem personagens “real life” (que levam uma vida normal, trabalham e estudam, celebridades, etc), os de Universo Alternativo (lobisomens, vampiros, bruxos, e demais histórias sobrenaturais), e até os que são baseados em histórias que já conhecemos (filmes, séries, livros, etc). Isso depende do que você gosta, e qual é o tipo de história que você quer desenvolver.

Como os personagens são criados?
Antes de qualquer coisa, o jogador pensa e elabora muito bem o seu personagem. A maioria chega a fazer pesquisas sobre etnias, leituras históricas, nomes e sobrenomes. Quando o personagem envolve algo sobrenatural, é muito comum ler e aprender sobre a criatura que você vai criar (ou brotar, na linguagem dos jogadores). Após toda essa pesquisa, uma história é desenvolvida e, geralmente, é narrada desde o nascimento aos “dias atuais”, que é onde a trama se inicia. Com a história criada, nome definido, e demais informações sobre o personagem, o jogador vai em busca de um FC (Face Claim, a aparência do personagem) que se encaixe com tudo o que foi criado. Os FC normalmente são celebridades, ou blogueiros estrangeiros encontrados no instagram. Abaixo, o exemplo de um personagem baseado no filme “Descendentes”, da Disney Channel. Um filho do Jafar, cujo FC é o ator Booboo Stewart – que interpreta o personagem nos filmes.

E essa é a última etapa para a criação do personagem: a montagem do perfil. Como sou uma jogadora ávida do Twitter, resolvi usar essa rede social como exemplo para a maioria das coisas. Quando o perfil é criado, podemos dizer que o seu personagem, finalmente, existe e está pronto para interagir com outros que possam se relacionar a ele de alguma forma.

E como se joga, de fato?
Essa é a parte mais legal do RP. Quando criamos os nosso personagem, obviamente seguimos outros montes para que tenhamos com quem jogar e conversar. Os comandos que vocês controlam com setas e mouse, nos jogos de RPG Online, nós controlamos com textos. Sim, textos! As ações e o background da história são detalhados em textos que chamamos de Turnos, e são trocados entre jogadores pela Time Line (TL), no privado (DM), ou em canais separados como Skype, Telegram e, às vezes, no WhatsApp.

No Twitter, mais especificamente, usamos a TL para conversas mais frequentes e curtas, geralmente sem ações. Já no privado (DM, ou Direct), nós turnamos o que os personagens estão fazendo. Seja um passeio, uma luta, um assalto. Tudo o que envolve a movimentação corporal do personagem, e detalhamento de cenário, nós fazemos na DM.

Um dos jogadores envia o primeiro turno como introdução e as respostas futuras vão desenrolando a história e os movimentos dos personagens. Um turno pode ser a continuação de uma conversa na TL (como o print acima), ou pode iniciar uma situação completamente nova. É como escrever um livro junto com outras pessoas, onde todos fazem parte da trama.

Existem, também, os “turnos de barrinha”. Estes turnos são feitos para representarem uma situação mais cotidiana, que os jogadores preferem retratar mais rapidamente e sem tantos detalhes. Eles vão, geralmente, de uma linha a um parágrafo e e são sinalizados com barras (/) antes e depois da escrita.

Num geral, podem acontecer, simultaneamente, com mais de uma pessoa (em grupos) de acordo com a trama que seu personagem esteja envolvido. Esses grupos são chamados de Squads ou Bases (a depender da proporção da história) e sempre unem personagem do mesmo universo. Eu, por exemplo, jogo com uma Nairobi (La Casa de Papel) e participo de uma Base cujo plot envolve toda a realidade da série. Com outros jogadores, que interpretam os demais personagens, conseguimos criar novas histórias para que possamos jogar uns com os outros. Sejam novos assaltos, ou a vida de cada um após tudo o que aconteceu.

E, assim, todos vão seguindo o desenvolvimento da história com base no que nós mesmos escrevemos. Uma história que, diferente dos jogos de RPG Online, não possui propósito ou fim. Ao menos não até que você se canse daquele personagem, ou daquela trama, e resolva montar algo novo. Novos perfis vão sendo criados, novos vínculos se formam e novas histórias se desenvolvem, ajudando o jogador a trabalhar sua criatividade, escrita e leitura. Um tipo de RPG tão diferente quanto os de mesa – se comparado a essa realidade mais eletrônica – mas tão interessante quanto.

E, acreditem, temos muitos jogadores. Conseguimos interagir com os que estão em outros estados e, até mesmo, em outro país (sim, essa cultura de RP existe fora do Brasil). Turnamos, conversamos, nos divertimos. Criamos histórias, pessoas, relacionamentos e vivemos uma segunda realidade, interpretando personagens que, muitas vezes, diz muita coisa sobre quem a gente é.


E aí, gostou de saber sobre esse tipo de RPG? Se interessou em jogar? Não perde a oportunidade não! Se quiserem, podem dar uma fuçada em como funciona o meu perfil da Nairobi, clicando aqui… vai que isso instiga vocês a virem jogar também, né?

Um abração pra todo mundo, e até a próxima matéria!

Soteropolitana, 24 invernos; quase uma publicitária. Escritora crítica e ficcionista, louca da Disney, viciada em RPG online e iludida por acreditar que vai namorar o Tom Holland.

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