Slipknot – All Hope Is Gone.

Háron Souzza . Há 9 meses atrás

Iowa, fevereiro de 2008, o Slipknot se reunia para gravar o seu quarto e último álbum de estúdio com a formação originalAll Hope Is Gone. No dia 20 de agosto de 2008 o disco chegava às paradas americanas, sendo um sucesso absurdo de vendas e conquistando a 16ª posição na lista de “50 melhores álbuns do século 21” da revista Kerrang!.

Um capítulo controverso na história da banda, que divide a opinião de fãs, críticos e até mesmo dos integrantes. O famoso “8 ou 80“, por ser muito amado por uns e odiado por outros.

Eu, particularmente, tenho um apego especial pelo All Hope is Gone, pois foi o primeiro CD da banda que eu conseguir comprar, logo a pós o lançamento. E é claro, por ser o último com todos os 8 originais.

 

 

O quarto lançamento mostrou ao mundo uma nova vertente criativa do grupo, com músicas mais melódicas, porém, trazendo consigo o tom pesado e as batidas fortes. Faixas como “Snuff“, “Dead Memories” e “Gehenna” foram algo realmente inédito e surpreendente de ouvir sob o selo “Slipknot“, além da inovação que as duas primeiras trouxeram no clipe, vinculando pela primeira vez, uma versão “desmascarada” do Corey.

All Hope Is Gone deixou todos os fãs intrigados e causou uma certa estranheza, mas serviu como combustível para preparar o campo e dar liberdade ao grupo de criar algo diferente, livrando-se dos padrões estabelecidos pelo auto-intitulado “Slipknot (1999)” e o seu subsequente, “Iowa (2001)“.

 

 

Toda a atmosfera que se encontra no disco, foi fruto de sentimentos profundos dos integrantes. Em uma entrevista, o vocalista Corey Taylor contou sobre a depressão que enfrentava na época, e como aquele momento influenciou na sua escrita.

Eu estava na turnê Family Values com o Stone Sour em 2006 e estava infeliz. Eu estava vendo todas aquelas bandas ganhando 20 dólares e se divertindo. Eles estavam tocando no meio do dia e não tinha ninguém lá, e eles tocavam pra isso. Eu estava lá como terceira banda no lineup, infeliz pra cacete. Então pensei, tem algo errado nessa porra. Eu costumava viver para fazer isso. Eu costumava matar para fazer isso. Foi quando eu realmente comecei a me concentrar novamente. Comecei a escrever as letras de All Hope is Gone no meio da turnê. Sentei-me e escrevi em vários cadernos. Eu comecei a sentir fome novamente e eu queria fazer outro álbum do Slipknot. Eu não me sentia assim há anos. 

 

Além dele, Joey Jordison, um dos membros fundadores e ex-baterista da banda, também revelou que enfrentava alguns problemas na época das gravações.

Depois que eu fiz o demo do álbum com Paul, descobri um monte de coisas sobre a minha ex-namorada. Foi um relacionamento muito ruim e me fez quase querer me matar. E tudo que fiz foi basicamente me foder. Eu apaguei as luzes, não atendia o telefone, usei cocaína. Eu não comia. Eu estava quase morto. As pessoas ficaram tipo: “Que porra está acontecendo com Joey?” Então, meu pai quebrou a porra da minha porta e me fez abrir os olhos. Ele é o filho da puta mais durão de todos.

 

Apesar de ter sido a gravação de disco mais rápida da banda, e considerada por alguns dos integrantes uma das melhores, não deixou de ter os seus problemas e criar algumas queixas entre os membros. Alguns deles relataram que a banda nunca se reuniu completamente durante as gravações, com alguns dos integrantes gravando suas partes inteiramente sozinhos, outros se unindo para criar material que nem ao menos foi incluído na versão final, e claro, muitas discordâncias. Porém, o resultado agradou a maioria, e mesmo os que não se sentem totalmente agradados, afirmam que ao menos serviu de propulsor para abranger os gêneros do grupo.

All Hope Is Gone foi o primeiro álbum do Slipknot a estrear no número um na parada de álbuns da Billboard 200, feito que já fora alcançado pelos seus últimos dois discos. Porém, o quarto capítulo na história da banda abriu caminho para diversas outras criações, mostrando ao público que os oito mascarados de Iowa estão aqui para surpreender-nos cada vez mais. Se formos observar, canções como “Killpop“, “Nomadic“, “If Rain Is What You Want“, “Liar’s Funeral“, “Spiders” e “Not Long for This World“, talvez não estivessem presentes nos álbuns subseguentes, caso a banda não se permitisse ampliar o seu lado criativo e explorar todos os caminhos que hoje trilham com absurdo sucesso.

E é isso que marca tanto o Slipknot e agrada os seus fãs. A majestosa forma de se reinventar mantendo a sua identidade. Criar algo completamente novo, mas reconhecível logo nos primeiros segundos. A forma como os membros se unem, apesar de todos os seus problemas para criar um material cada vez mais marcante.

Snuff” foi uma música muito pessoal para mim. Foi uma das duas músicas que eu mesmo escrevi. Quando eu terminei essa música, eu estava em um estado mental fodido. Quando eu a ouvi pela primeira vez, com todos juntos, e ouvi o que todo mundo tinha colocado nela, eu só comecei a chorar. Foi tão gratificante. – Taylor, Corey.

 

 

 

A obra também foi marcada por uma tragédia envolvendo a banda. No dia 4 de maio de 2010, Paul Gray, o baixista e um dos fundadores da banda,  foi encontrado morto em um quarto de hotel. A causa da morte foi declarada como overdose acidental, e por algum tempo, suspeitava-se de suicídio, porém, essa hipótese fora descartada após o seu médico particular, Daniel Baldi, ter sido acusado e condenado por homicídio culposo por seu envolvimento em oito mortes, incluindo a de Gray, ao receitar doses elevadas de analgésicos para os pacientes.

 

 

Atualmente o Slipknot ainda está na ativa e conta com 6 discos de estúdio e um sucesso absurdo. O seu último trabalho foi lançado no ano passado. O disco We Are Not Your Kind vendeu cerca de 118.000 cópias somente na primeira semana.

Para finalizar, fiquem com o meu TOP 5 musicas favoritas no álbum All Hope Is Gone.

 

1. Psychosocial.

 

2. Snuff.

 

3. Gehenna.

 

4. Wherein Lies Continue.

 

5. Child of Burning Time.

Soteropolitano, 26 anos, publicitário que ama quadrinhos e ganha a vida testando jogos. Fãboy da Blizzard, ama suspense, terror, ficção cientifica e drama.

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