Sociedade dos Poetas Mortos e o Mito da Caverna

Wendell Almeida . Há 1 ano atrás

Em 1959 na Welton Academy, uma tradicional escola preparatória, um ex-aluno (Robin Williams) se torna o novo professor de literatura, mas logo seus métodos de incentivar os alunos a pensarem por si mesmos cria um choque com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Fonte: AdoroCinema

 O filme traz duas personalidades como ponto para encantar logo “de cara” com Peter Weir, diretor e roteirista que trabalhou em filmes como: Show Trumam (1998), Caminho da Liberdade (2010) e A Testemunha (1985) e o ator Robin Williams que teve en sua carreira filmes como: Patch Adams (1998), O Homem Bicentenário (1999)  e Gênio Indomável (1997).

O enredo se passa numa escola dos Estados Unidos (EUA/USA) frequentada por jovens de alta classe que, tinha como ponto principal preparar os alunos para a vida e leva-los as melhores universidades e carreiras do mundo. A premissa do local era baseada numa doutrina conhecida como “os 4 pilares” que eram: tradição, honra, disciplina e excelência, o que neste ponto, trazia traços muito próximos a música Another Brick in the Wall, presente no álbum/filme The Wall da banda Pink Floyd.

Dado os padrões da época, são trazidos comportamentos “naturais” no meio pedagógico do período em que se passa o filme (1959) para os padrões ainda presente em muitas instituições no ano de lançamento do filme (1989) mostrando que, por traz da ideia de prepara-los para vida, a escola os ensinavam a repetir padrões para pertencerem as classes “vencedoras”, dando a entender que, fora daquele padrão e dadas as opções de profissões não haveria um êxito em suas vidas.

 

MITO DA CAVERNA (ou Alegoria da Caverna) X SOCIEDADE DOS POETAS MORTOS [Contém pequenos spoilers]

 Vamos por partes. Irei citar alguns pontos presentes em algumas cenas do filme (tentarei contar o mínimo possível delas)

O ponto inicial acredito estar na cena de abertura onde, é dado um banquete de boas vindas aos alunos. O cenário é um grande salão, com o ambiente iluminado em grande parte por velas, o que infere no ponto inicial do mito da caverna (a caverna e a fogueira) e o diretor se mostra como a imagem formada daquele local, trazendo todas as regras da moral e bons costumes “existentes” no mundo.

Durante o discurso, o diretor reforça, além dos quatro pilares (citados mais acima), exemplos de ex-alunos que foram para as maiores universidades do país e tudo aquilo que deve ser seguido para alcançar este patamar; E, mais à frente temos o início das aulas, onde é mostrada uma aula de latim em que o professor apenas faz com que seus alunos repitam as palavras e aprendam a grafia e a sonoridade repetindo-as, o que volta a ideia de entendimento do real relativo da caverna, que, os prisioneiros acreditam que o mundo existente são: a caverna e as imagens formadas na parede pelas sombras da fogueira.

No início das aulas do professor Keating (Robin Williams) podemos ver no rosto dos alunos certa consternação por conta dos seus métodos nada convencionais, dadas as diretrizes da escola. Assistir aulas fora da sala, rasgar livros que tomam a arte e a poesia em “cálculos” para saber se eram boas ou não, entre outras coisas causam certo estranhamento, que se vê na alegoria como a saída da caverna quando se tem uma sensação de desamparo e desconforto, além de sentirem seus olhos nublados por estar acostumado pela escuridão da caverna.

Os alunos passam a tomar gosto pela poesia, pela literatura e experimentam uma sensação de liberdade ao conhecer uma “nova visão do mundo”, que, neste ponto, se pode observar como a descoberta do prisioneiro fugitivo de um mundo muito maior do que aquele que conhecia.  E neste desenrolar, há uma cena que acompanha o contraponto entre o desconforto da saída e o reconhecimento de novas nuances da vida quando, um dos personagens vai a uma festa em que não há nenhum aluno da sua escola e estranha a forma como aquela festa acontece por vir de uma “realidade diferente”, o que gera até mesmo conflitos entre eles.

Ao meu ver, um dos pontos que mais chamam atenção no filme é o local escolhido, não por eles, mas, por Keating e seus antigos colegas que fundaram a sociedade, para irem ler poesia ser justamente uma caverna à noite, onde sentavam-se em volta de uma fogueira e liam seus textos e de autores já conhecidos.

E para finalizar, mais dois pontos: Ao sair da caverna, há a escolha de aproveitarem “o novo mundo” ou arriscar voltar a caverna e tentar tirar de lá os demais prisioneiros sob risco de ser taxado de louco por apresentar uma realidade desconhecida pelos demais, e por isso, acusarem-no de mentir e tentar manipulá-los, o que pode-se traçar como paralelo entre a vontade de um dos personagens em ser ator e estrelar um peça no teatro da cidade e a negação de seu pai à sua vontade com o pretexto de ser loucura esta vontade, pois, ele deveria apenas se concentrar em estudar para ter boas notas e ir à uma boa universidade; E o segundo ponto é o professor Keating “pagar o pato” por mostrar aos alunos que o mundo poderia ser bem mais que aquilo que lhes era apresentado.

Enfim, espero que tenham gostado do paralelo traçado entre estas histórias. E para quem não assistiu sociedade dos poetas mortos e está preso na sua caverna por conta do isolamento social é um filme que deixo como indicação para vocês.

 

Garotos, vocês devem se esforçar para encontrar suas próprias vozes. Porque quanto mais vocês esperarem para começar, menos provável que vocês possam encontrá-la. Thoreau disse: “A maioria dos homens leva uma vida de desespero silencioso”. Não se rebaixem a isso. Saiam!

Professor Keating – Sociedade dos Poetas Mortos

Soteropolitano, 25 anos. Administrador, colunista nas horas vagas, poeta, cronista, crítico de filmes da Sessão da Tarde, seriados do SBT e livros que compra sem ter tempo de ler.

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