Soul: A alegoria da razão

Wendell Almeida . Há 4 meses atrás

Em Soul, duas perguntas se destacam: Você já se perguntou de onde vêm sua paixão, seus sonhos e seus interesses? O que é que faz de você… Você? A Pixar Animation Studios nos leva a uma jornada pelas ruas da cidade de Nova York e aos reinos cósmicos para descobrir respostas às perguntas mais importantes da vida. Dirigido por Pete Docter e produzido por Dana Murray.

Sinopse: Adoro Cinema

O filme é visto como infantil por ser uma animação, porém, as reflexões feitas sobre a vida e os desdobramentos dela são “coisa de gente grande”. O nome em si já demonstra certas particularidades sobre o filme, pois, Soul pode ser tanto a palavra em inglês que significa alma, quanto o ritmo muito difundido nos EUA que recebe o mesmo nome. Ao brincar com significados e ter – praticamente todos – os personagens como negros a Pixar versa com a característica marcante deste ritmo: Seus “inventores” e maiores difusores, visto que, o Soul music teve grandes artistas conhecidos mundialmente, tais como: Erykah Badu, Ray Charles, James Brown, Aretha Frankin, Marvin Gaye, Al Green e outros.

Questões centrais que, em algum momento da vida, todos acabam, direta ou indiretamente se perguntando são levantadas. Quem somos? Qual o sentido da vida? Qual o proposito dela? E outras questões são postas em pauta, e, mesmo que haja uma abordagem espiritual, o fazem de forma filosófica ao não levarem os desdobramentos destas reflexões a ideais religiosos ou pôr uma figura teológica como “o centro” de tudo. O que lembra muito as reflexões de filósofos gregos, além do símbolo que todas as almas da escola da vida usam lembra muito o Ikigai – um diagrama japonês que faz parte do que se chama de: filosofia dos propósitos e que os intelectuais da época acreditavam que com ele cada um poderia encontrar o seu, afinal, cada um deles é único.

A ideia de missão e proposito é algo muito antigo em nossa civilização, e Soul “joga” com diversas interpretações sobre elas. Tal qual, a máxima aristotélica que a vida só tem sentido com o desabrochar dos talentos, e uma visão contrária a ela que leva quem assiste pensar sobre o assunto, além de uma antiga abordagem budista de distinguir estes pontos, que, muitas vezes, são vistos como “a mesma coisa”.

Há também assuntos correlatos como os impacto da modernidade e o “caos” social que é a vida nas metrópoles mundiais. E que, muitas vezes, isso dá medo e causa frustrações levando as pessoas a buscar fugas e acabarem se tornando meros “robôs” dentro da própria vida.

Os pontos negativos do filme, infelizmente não poderá ser falado por conter muitos spoilers, mas, o que posso dizer é que: achei que eles poderiam alongar um pouco mais o filme e aproveitar um dos personagens que aparece apenas duas veze no filme e, ao meu ver, tinha tudo para compor ainda mais o roteiro, e senti falta de uma única cena mostrando apenas um flash de “que fim se deu” a personagem 22, no mais, o roteiro foi bastante conciso, a animação e composição dos personagens estava bem feita

Enfim … O filme aborda todos estes pontos de forma simples, lúdica e objetiva, fazendo com que seja um filme produtivo para todas as idades. Podendo ser entendido tanto por crianças, quanto adultos, e, é uma boa opção para se ver tanto sozinho quanto em família (só cuidado com a bad filosófica, tá?)

 

Nota: 4/5 acarajés

Ficha Técnica:

Direção: Pete Docter.

Codireção: Kemp Powers.

Produção: Dana Murray.

Roteiro: Pete Docter; Mike Jones; Kemp Powers.

Elenco: Jamie Foxx; Tina Fey; Questlove; Phylicia Rashad; Daveed Diggs; Angela Bassett.

Gênero: Comédia.

Música :Trent Reznor; Atticus Ross.

Cinematografia: Matt Aspbury; Ian Megibben.

Edição: Kevin Nolting.

Companhia(s) produtora(s): Walt Disney Pictures; Pixar Animation Studios.

Data de Lançamento (Brasil): 25 de Dezembro de 2020

Soteropolitano, 25 anos. Administrador, colunista nas horas vagas, poeta, cronista, crítico de filmes da Sessão da Tarde, seriados do SBT e livros que compra sem ter tempo de ler.

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