Theda Bara- a primeira vamp da história do cinema

Vinicius Dias . Há 3 anos atrás

Desde 1915, os filmes de Hollywood atribuem à mulher um papel de dar prazer visual ao homem. Elas passavam todo o tempo destinadas ao silencio, à marginalidade e sendo o objetivo a ser conquistado pelo voyeur sendo assim, as características psicológicas das mulheres eram construídas pelos homens que tanto as desejavam. O poder do olhar masculino utiliza mecanismos freudianos como narcisismo, voyeurismo e fetichismo. Por ser um meio de comunicação de massa, o cinema representava e constituía a realidade, reforçando estereótipos, exclusões e influenciando na maneira como o sujeito era visto na sociedade.

Durante a Primeira Guerra Mundial, e devido à situação de destruição na Europa, a produção de filmes passa a concentrar-se em Hollywood, gerando o sistema de fabricação de estrelas que encantavam multidões a exemplo de Mary Pickford, conhecida como a “queridinha da América” e Theda Bara.

Entre as primeiras atrizes da história do cinema, podemos destacar Theda Bara, atriz norte- americana considerada como a primeira “mulher fatal”, ainda no cinema mudo. Os trajes transparentes utilizados pela atriz davam espaço para imaginação de muitos homens, mas logo foram proibidos após o código de produção ser instaurado em 1930, e reforçado em 1934. Bara popularizou a personalidade vamp nos primeiros anos do cinema mudo e logo foi imitada por outras atrizes tais como Nita Naldi e Pola Negri. Dos mais de quarenta filmes estrelados por Theda Bara, apenas seis chegaram até os nossos dias, dos quais podemos destacar: “The Tiger Woman” (Coração de tigre) (1917), “Cleópatra” (1917), “When a Woman Sins” (Quando a mulher peca) (1918), “The Unchastened Woman” (Mulher libertina) (1924).

Campanhas publicitárias promoviam Theda Bara como “nascida no Egito”, devido ao uso de figurinos temáticos, que eram sempre atrelados a um cenário exótico. Os publicitários afirmavam que Bara era filha de uma atriz francesa com um escultor italiano e que ela havia passado seus primeiros anos no deserto do Saara, mudando-se para a França para estudar teatro. A verdade é que Theda Bara jamais fora ao Egito ou França.

Recebendo o apelido de “Serpente do Nilo”, Theda Bara foi incentivada a comentar sobre misticismo e ocultismo em suas entrevistas.  Devido a fama de Theda Bara, sua imagem vamp se tornou notória e começou a ser referida em canções populares. Em “Red-Hot Hannah“: “I know things that Theda Bara’s just startin’ to learn – make my dresses from asbestos, I’m liable to burn….“. A música “Rebecca Came Back From Mecca“, diz: “She’s as bold as Theda Bara; Theda’s bare but Becky’s bare-er“, e a música “If I had a man like Valentino” possui o refrão, “Theda Bara sure would die; she would never roll another eye“.

Bara se casou em 1921, com o diretor britânico Charles Brabin e é então que sua carreira começa a decair, encerrando-se em 1926 com a comédia “Madame Mystery”. Theda Bara chega até a fazer uma participação um ano depois na comédia “The Blue Fame”, porém foi mal comentada. E mesmo querendo voltar a atuar no cinema, seu marido não considerou apropriado que a sua esposa tivesse uma carreira.

A primeira vamp morre em 1955, devido a um câncer de estômago na cidade de Los Angeles. Ela foi enterrada como Theda Bara na cidade de Glendale, na Califórnia.

26 anos, formado em Letras, Espanhol e Literaturas e grande fã de filmes de terror.

Comentários