Uma Mulher Fantástica – Precisamos falar sobre representatividade

Vinicius Dias . Há 4 anos atrás

Durante muito tempo, o ocidente foi controlado pelo patriarcado, o que culminou numa maneira desigual de organizar as relações sociais em relação ao gênero. Esse tipo de controle sempre favoreceu apenas ao homem e criou um status de submissão da mulher. Essa desigualdade fica ainda mais gritante quando comparamos essa relação de poder com a vivência das mulheres trans.

Em Uma Mulher Fantástica, somos apresentados a Marina (Daniela Vega), mulher trans que trabalha em um restaurante como garçonete, mas alimenta o sonho de se tornar uma grande cantora lírica (por isso, canta em alguns bares durante a noite). Marina tem sua vida abalada após a repentina morte do seu companheiro, Orlando. Além de lidar com a dor da perda, Marina ainda precisa enfrentar a família do falecido, que não a reconhecia como esposa (nem ao menos a reconheciam como uma mulher). Humilhada física e psicologicamente, Marina se vê sem direito ao sofrimento. Desde o início do filme, a protagonista sofre com o apagamento da sua identidade de gênero, da sua posição como companheira de Orlando e da violência causada pela família do homem que amava.

Os registros fantasistas, não muito explorados, são frutos da constante busca do diretor pela construção de imagens que representassem o atual momento vivido por Marina e é representado pela imagem dela enfrentando um vendaval, e mesmo assim se mantendo em pé e por sua imagem distorcida diante de um espelho.

Acredito que o longa acertou no destino dos personagens, mostrando uma Marina forte durante todo o filme e livre das pessoas que durante muito tempo a atormentaram. Uma Mulher Fantástica nos traz um retrato intimista de personagens, além de retratar, com algumas ressalvas, a árdua tarefa de sobreviver num mundo sendo uma mulher trans. O longa também nos faz refletir sobre Denise Franco, Evelyin Furtado, Gabriela Souza, Flávia Montilla e inúmeras transexuais que são preteridas e que tem suas histórias apagadas diante dos nossos olhos.

Nome: Uma mulher fantástica (Uma mujer fantástica, 2017, Chile)
Data de lançamento: 7 de setembro de 2017.

Duração: 1h 44min.
Elenco: Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco e mais.
Direção: Sebastián Lelio
Gênero: Drama.
Nota: 4,5/5

26 anos, formado em Letras, Espanhol e Literaturas e grande fã de filmes de terror.

Comentários