Viva – A Vida É Uma Festa, e que festa!

Nerd com Dendê . Há 3 anos atrás

Sabe aquela fórmula da Pixar, com roteiro amarradinho que faz crianças e adultos se encantarem? Pois bem, ela ainda não se esgotou.

Viva – A Vida é uma Festa (Coco) está envolta dos mesmos criadores de Toy Story 3 e Procurando Nemo, ou seja, emoções e encantos não faltariam nesse filme. O longa é ambientado nas festividades do Día de los Muertos, no México, onde nosso protagonista Miguel quer se tornar um músico de sucesso, mesmo que tenha que enfrentar uma família que o reprima por isso.

A riqueza de detalhes, de estudo de cores e de ambientação desse filme é algo indescritível. Todas aquelas cores vivas, alavancando a vida além da morte, é algo que não só encanta, mas nos faz refletir o nível que a Pixar tem deixado no mercado nos últimos tempos. Ao notarmos, por exemplo, a ponte que separa o plano dos vivos e dos mortos, ou ao vermos as criaturas do outro mundo, é notório o quão estruturado, pensado e bem executado foi esse longa.

O que chama mais atenção no filme é o jeito em que foi trabalhado as relações familiares. Além de trazer uma moral sensacional, as personagens são carregadas de carismas, emoções e expressões que não só cativam crianças, como adultos. A animação trabalha bem com os “clichês engraçados”, como o cachorro amigo de Miguel, que lembra muito Geraldo e Beca de “Procurando Dory”, ou como as personagens mais velhas, que são caracterizadas com diversas expressões que entretêm pelo exagero.

Algo que poderia ser melhor trabalhado é a trilha sonora. Não que ela fosse ruim, porém, comparado a sucessos como o recente Moana, ela é esquecível e pouco marcante. E para um filme que conta a história de um músico, acredita-se que é um fator importante para o envolvimento do público. Mas também vale exaltar a música “Lembre de mim” que foi milimetricamente bem colocada nas cenas. (Obs: A crítica foi baseada no filme dublado com as músicas em português, talvez a experiência de quem for assistir legendado seja diferente).

Até o segundo ato do filme, as pessoas já estariam entretidas no roteiro, porém poderiam até achar que seria só mais uma animação comum. Entretanto, ao adentrar o terceiro ato, os espectadores veem o verdadeiro potencial e mensagem da história. Carregado de drama, de sinergia e de emoção, Coco é um dos fortes candidatos, sem dúvidas, a ganhar o Oscar de melhor animação do ano.

A maior polêmica, ou talvez, o maior motivo de algumas pessoas não quererem ver Viva é o fato da premissa ser muito parecida com um longa chamado Festa no Céu (The Book of Life), lançado em 2014, que conta, inicialmente, com a mesma ambientação e trama. Festa no Céu também é desenvolvida durante o Dia dos Mortos, no México, e também tem como protagonista um menino que deseja ser músico, mas é repreendido pela família. Apesar de ambos serem fantásticos e trazerem satisfação ao assistir, nada além disso é similar. São chamados de “twin films” filmes que estejam trabalhando com a mesma base, porém são distribuídas por produtores e estúdios diferentes, não tendo conhecimento do desenvolvimento um do outro. Enquanto uma história foca na relação amor em família, a outra foca em confrontar preconceitos e atingir sonhos. (Vale ressaltar que ambos são incrivelmente ricos e merecem sua atenção).

Enfim, Coco é uma aventura cultural, emocional e cativante, que conversam tanto com crianças quanto com adultos, de forma singela e tocante. Vale a indicação.

Nome: Viva – A vida é uma festa (Coco, 2017)
Duração: 109 min
Direção: Lee Unkrich, Adrian Molina
Gênero: Animação, Drama, Aventura
Nota: 5/5

Conteúdo nerd, com uma dose generosa de dendê

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